Operação deflagrada pela PF contra a Fake News crava uma estaca no coração digital da militância bolsonarista

28/05/2020

Ao que parece a PF resolveu agir de verdade contra a propagação de Fakes News, ontem foi deflagrada uma operação que teve como alvos, os irmãos Carlos e Eduardo Bolsonaro, e empresário Luciano Hang, o dono do site Terça Livre Allan dos Santos, o ex-deputado Roberto Jefferson entre outras pessoas. Em seu Twitter Carlos Bolsonaro escreveu "O que está acontecendo é algo que qualquer um desconfie que seja proposital. Querem incentivar rachaduras diante de inquérito inconstitucional, político e ideológico sobre o pretexto de uma palavra politicamente correta? Você que ri disso não entende o quão em perigo está!", só faltou o 'e ponto final' para entendermos tudo (parece até frase da Dilma). Falta o presidente dar os parabéns a PF por mais uma atuação investigativa (será?). São 29 mandados de busca e apreensão no processo presidido pelo ministro Alexandre Moraes.

O vereador Carlos Bolsonaro foi identificado como alvo da investigação no Rio de Janeiro, suspeito de ser um dos articuladores do esquema. Outro alvo o ex-deputado Roberto Jefferson, virou aliado do presidente após seu acordo com o Centrão e a troca de cargos por apoio. Mais um alvo da operação foi o deputado estadual SP Douglas Garcia, a ação seria por conta de um desdobramento da investigação que revelou que a maioria dos IPs (endereço de protocolo da internet, do inglês internet protocol address) são de um provedor público paulista, a Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo), parte desses IPs são de equipamentos instalados em seu gabinete e foram acionados durante horário de trabalho. A PF também apura a participação de empresários, na manutenção financeira da divulgação das Fakes News, o empresário Edgard Corona, fundador da rede de academias Smart Fit, é mais um dos alvos da operação da Polícia Federal, outro empresário na mira da Polícia Federal é o catarinense Luciano Hang, proprietário da rede de lojas Havan. Hang já foi condenado a indenizar o reitor da universidade por uma publicação falsa. A Polícia Federal não deu detalhes sobre os mandados cumpridos ontem. Procurado, o Supremo ainda não se manifestou. O inquérito corre sob sigilo de Justiça. Na tarde de ontem (27) o ministro Alexandre de Moraes determinou a quebra do sigilo bancário e telefônico dos empresários investigados no suposto esquema de Fake News contra o STF. O período da quebra será de julho de 2018 a abril de 2020. O ministro também solicitou o bloqueio de contas nas redes sociais dos envolvidos na investigação para "a interrupção dos discursos com conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática". Até que todos sejam ouvidos pela PF, em no máximo 10 dias. Interessante é que quando a PF atua em investigação sobre pessoas fora da relação presidencial e aplaudida, quando envolve parentes ou amigos dessa mesma esfera e criticada. O mesmo se aplica ao judiciário,quando autoriza buscas e apreensões de desafetos ao governo, agem de forma acertada quando as autorizações envolvem chegados, são ameaçados.