Decisão de dificultar acesso de informação da Covid-19 gera problemas internacionais ao país 

10/06/2020

A errada decisão do ministério da Saúde de limitar o acesso aos dados sobre a Covid-19, e possibilidade de que os dados estejam sendo sofrendo alterações pode reduzir investimentos estrangeiros, complicar o acesso a empréstimos internacionais, dificultar viagens de brasileiros ao exterior e até atrapalhar a entrada do Brasil no grupo de países ricos OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). É o que dizem especialistas em relações internacionais e saúde pública. A transparência das informações é um acordo tácito entres vários países, que tem por objetivo ajudá-los a conter globalmente o problema, quando o Brasil sonega essas informações coloca em risco toda a comunidade internacional é o que afirma o epidemiologista Rafael Meza, especialista em políticas de saúde pública da Universidade de Michigan. A observação geral é que ao sonegar e dificultar as informações o governo só amplia as dúvidas e as desconfianças sobre o quadro real do país. Desconfiança compartilhada por Gabrielle Trebat, ex-subsecretária de assuntos empresariais no Departamento do Tesouro americano e atualmente consultora de investimentos para América Latina da McLarty Associates. Trebat lembra também que esse movimento segue na contra-mão dos padrões adotados pela OCDE, no que diz respeito a coleta e publicidade de estatísticas. O que torna o ingresso do país na organização cada vez mais difícil. Lembrando que essa era uma prioridade do governo do presidente Bolsonaro desde o início de 2019. Além das dificuldades internas a falta de transparência e a dubiedade das informações podem colocar em risco o acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. O parlamento holandês já sinalizou que não aprovaria o tratado. Na ocasião os motivos era a discordância na política ambiental praticada pelo Brasil agora essa posição ganha o reforço da omissão de informações a cerca o coronavírus. Não estamos bem nas relações exteriores e isso é um FATO. Enquanto fechamos essa Edição o Ministério da Saúde emitiu o boletim oficial com todas as informações anteriormente omitidas