Presidente faz uma declaração mentirosa para defender o uso da cloroquina

15/05/2020

Na tarde de ontem (14) o presidente desautorizou o ministro Nelson Teich, de ir contra o uso da cloroquina. "Se o Conselho Federal de Medicina [CFM] disse que pode usar a cloroquina desde os primeiros sintomas, por que o ministro da Saúde vai dizer que é só em casos graves? A regra é essa", disse Bolsonaro durante teleconferência com o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. Na verdade, a declaração do CFM em momento nenhum diz que a hidroxicloroquina deva ser usada, contrariando a afirmação do presidente. No dia 24/04 na porta do Palácio do Planalto, o presidente do órgão Mauro Luiz Britto Ribeiro, disse contextualmente "O Conselho Federal de Medicina NÃO recomenda o uso da hidroxicloroquina,(precisa desenhar) o que nós estamos fazendo é dando ao médico brasileiro o direito de, junto a seu paciente, em decisão compartilhada com seu paciente, utilizar o medicamento. Nós estamos autorizando, não é uma recomendação, isso é muito importante ficar bem claro". Daí o presidente vem a público com uma afirmação estarrecedora "Votaram em mim para eu decidir, essa decisão passa por mim. Acredito no trabalho dele, mas essa questão eu vou resolver", disse Bolsonaro, que não tem formação na área médica. Onde, por Deus, uma decisão técnico científica, de uma especialidade tão complexa com a medicina tem haver com sua chegada ao posto pelo voto? O que fica e a recomendação de todos os mais renomados institutos de pesquisa pela mundo e compartilhado até pelo ministro Teich "Um alerta importante: a cloroquina é um medicamento com efeitos colaterais. Então, qualquer prescrição deve ser feita com base em avaliação médica. O paciente deve entender os riscos e assinar o 'termo de consentimento' antes de iniciar o uso da cloroquina".