Editorial - Moralidade e impessoalidade escoando pelo ralo

02/02/2020

Nós já havíamos falado desde o início que o tratamento com o Aliança pelo Brasil, seria diferente dos demais partidos, alguns em fase mais adiantadas de criação. Para reunir quase meio milhão de assinaturas para sua criação, o partido do presidente, tenta recorrer a parcerias com igrejas e cartórios. O Ministério Público já pediu na semana passada que o Tribunal de Contas da União investigue se há engajamento de tabeliães, que prestam um serviço público, na causa, e como está se dando esse engajamento, já que prestam um serviço público. O mesmo não se pode requerer para os templos religiosos. Entretanto temos ouvido casos de líderes religiosos, usando seus púlpitos como palanques. O reverendo Emerson Patriota da Igreja Presbiteriana Central de Londrina, disse em alto e claro tom. "Vocês viram um grande ônibus estacionado ali, escrito Aliança pelo Brasil? Tá meio escuro, mas tenho certeza que você viu", (ele se referia a uma unidade montada pelo partido que mais parece um outdoor volante). E conclui "Este futuro partido, estamos profetizando aí, precisa de algo que se chama apoiamento", continua o líder, que logo "desafiará" fiéis a dar uma das 492 mil assinaturas que a Justiça Eleitoral exige para parir a sigla. E é vapt-vupt, garante Patriota: "Temos aqui o pessoal do cartório para facilitar todo esse processo, [...] eles já estão aqui para nos abençoar". Por ser um novo partido que vem sendo organizado pela líder maior do país, esperava-se um maior comprometimento com a moralidade e impessoalidade. É igual ao voo do jatinho. Pode não ser ilegal (pode?)... mais é imoral. Outros líderes como o bispo e ex-deputado Robson Rodovalho, líder da Sara Nossa Terra, quer mais é mobilizar sua rede de mais de 1 milhão de fiéis. Só não foi procurado ainda. Muitas congregações, como a dele, colocaram-se de prontidão para alavancar a Aliança, mas ninguém as contatou até agora. De acordo com o advogado Luiz Eduardo Peccinin, autor do livro "Discurso Religioso na Política Brasileira", concorda. Não há vedação a ações do gênero, "especialmente se não tiver qualquer coação à colheita de assinaturas". Se uma frase com essa força, dita pelo líder de uma igreja em um culto lotado de fiéis, de vários e diferentes níveis intelectuais, não se caracteriza coação... No campo hipotético, Há quem veja margem para a judicialização do tema. Com esse ato, os líderes podem (podem) fazendo doação eleitoral ilegal, pois "estão fornecendo mão de obra (mensurável em termos econômicos) e estrutura física dos templos em prol de uma determinada agremiação política, em detrimento de outras. Tolo quem achava que seria diferente