Muita fumaça e pouco fogo

27/02/2020

Você certamente leu essas mensagem do chanceler Ernesto Araújo "EUA anunciam a reabertura de seu mercado para a carne bovina brasileira, fechado desde 2017. Mais um resultado econômico concreto, que não viria sem a nova parceria política estabelecida entre os Presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump". A ministra Tereza Cristina também postou um vídeo onde parabenizou o presidente. Só a título de esclarecimento, em 2017 a compra de carne in natura foi suspensa pelo governo americano, sob a alegação de "preocupações recorrentes" em relação à segurança do produto após a deflagração da questionável Operação Carne Fraca em frigoríficos do País pela Polícia Federal. A partir daí o país iniciou um grande movimento que vinha sendo articulado com o propósito de reabrir o mercado, o produto vinha sendo submetido a rigorosas inspeções dos EUA, Ou seja todo processo de reabertura do produto no mercado americano acontecia desde muito antes o presidente pensar em sua candidatura. Lembrando que na ocasião outros países também suspenderam as compras da carne bovina do Brasil. A participação do Brasil no mercado exportador de carne bovina para os EUA não ultrapassa a 4,5%, alguma coisa em torno de 64 mil toneladas/ano. Isso, sem nem é uma cota fixa, como no caso da Austrália, Argentina e Uruguai. Irã, países árabes e China. Os dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia apontam que o país teve em 2019, um resultado 20,5% inferior ao ano de 2018 e representa o menor desempenho desde 2015. Até agora, todos os acordos do presidente foram resultado de articulações dos governos anteriores. O que não desmerece todo o trabalho é certo.