Até aqui nos ajudou o Senhor

Editorial 

16/11/2019

Mais uma vez o presidente dá uma canetada, agora dentro da medida provisória do programa Verde e Amarelo, ele revoga artigos da CLT e de Leis Específicas ao desobrigar a anotação específica na carteira de trabalho para algumas atividades. Jornalista, artista, corretor de seguros, publicitário, atuário, arquivista e técnico de arquivo, radialista, estatístico, sociólogo, secretário e até guardador e lavador autônomo de veículos automotores são as profissões para as quais o registro junto às Superintendências Regionais de Trabalho não será mais exigido. Isso será como entregar a condução de um veículo a uma pessoa inabilitada. O registro profissional era exatamente isso uma habilitação. A garantia que além de saber fazer o profissional tem habilidades para fazer. Falando da nossa área da comunicação, jornalistas e publicitários, profissionais que lidam com a sensibilidade da sociedade, não necessitarão mais de apresentar o registro profissional e apesar do governo insistir que a medida está desburocratizando e facilitando o ingresso de pessoas ao mercado de trabalho,vemos a MP 905/19, como o sucateamento da profissão. Com o registro era possível exercer um controle público. O certo é que, ingressarão no mercado da comunicação pessoas sem formação técnica, acadêmica, ética e profissional. Reafirmamos de acordo com a legislação atual, você pode saber dirigir com maestria, mas só vai se tornar um motorista após estar habilitado, e o mesmo foi aplicado durante anos, nas profissões regulamentadas. A Federação Nacional dos Jornalistas emitiu nota em que contesta a constitucionalidade da MP e afirma ser mais um passo rumo à precarização do exercício da profissão de jornalista, uma atividade de natureza social ligada à concretização do direito humano à comunicação. "Na prática, sem qualquer tipo de registro de categoria, o Estado brasileiro passa a permitir, de maneira irresponsável, o exercício da profissão por pessoas não-habilitadas, prejudicando toda a sociedade", diz a nota." Nada mais é, do que um ataque ardiloso a profissão que ele e toda sua equipe tanto repudiam, uma forma de desacreditar a noticia e os jornalistas. Um risco a população.