Procurador que ganhou seus três minutos de fama, denuncia Glenn Greenwald antes ter aberto inquérito ou tê-lo chamado para um depoimento

23/01/2020

Fica cada vez mais incompreensível alguns atos de membros do MP. O procurador Wellington Oliveira ofereceu denúncia contra o jornalista Glenn Greenwald do Intercept Brasil, sob um suposto envolvimento do jornalistas com os seis hacker acusados de interceptação de diálogos privados envolvendo o então juiz Sérgio Moro, Deltan Dallagnol e procuradores da Operação Lava Jato. A inclusão de Glenn entre os denunciados têm como base um áudio que segundo o promotor indicam que "o jornalista GLENN GREENWALD, de forma livre, consciente e voluntária, auxiliou, incentivou e orientou, de maneira direta, o grupo criminoso, DURANTE a prática delitiva, agindo como garantidor do grupo, obtendo vantagem financeira com a conduta aqui descrita". O problema é que a peça do procurador enviada a justiça não se sustenta, em nenhuma das alegações oferecidas. Os próprios diálogos não mostram nada do que alega o promotor, o que nos entristece como cidadãos é qualidade dos representantes do MP no país, (queremos crer que seja minoria) A denúncia é inepta, arbitrária, abusiva. Isso fica bastante claro a partir da leitura dos trechos destacados pelo próprio procurador. Além disso Oliveira tratou tempestivamente de acusar Glenn de um crime, sem antes ter aberto inquérito ou tê-lo chamado para um depoimento. Membros do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) devem pedir a abertura de uma investigação sobre a conduta do procurador Wellington Oliveira, esses integrantes do CNMP consideram que o procurador infringiu ou pode ter infringido com essa inversão de conduta, resolução que regulamenta o oferecimento de denúncia.