Até aqui nos ajudou o Senhor

Desembargador Paulo Rangel ensina uma coisa e faz outra. Isso pode?

28/06/2020

O desembargador Paulo Rangel, que definiu o julgamento que deu foro privilegiado a Flávio Bolsonaro, afirmou ontem (27) que agiu "guiado por sua consciência e pela Constituição". Ao contrário do que ele próprio escreveu em seu livro "Direito Processual Penal", que já está na 27ª edição. Em um texto do livro Rangel esclarece. "A razão de ser do cancelamento da súmula é simples: se o agente não mais ocupa o cargo para o qual foi estabelecida a competência por prerrogativa de função, não faz (e não fazia) sentido que permaneça (ou permanecesse) com o foro privilegiado". Em seguida, refere-se a um projeto de lei de 2002 que tentava restabelecer o foro também nesse caso de "um desrespeito à sociedade". Rangel comete um erros crasso nesse caso, ao comparar os atos investigados pelo TJRJ, como atos durante o mandato e "tendo relação com a função". A pergunta é, rachadinha e formação de quadrilha, são atos com relação à função? Do momento em que escrevia seu livro até esse julgamento essa semana, o que mudou? A advogada Luciana Pires que assumiu a defesa de Flávio Bolsonaro no lugar de Wassef, divulgou uma nota sobre a foto publicada pelos veículos de imprensa, na nota ela diz. "Como advogada com 16 anos de atuação no Rio de Janeiro, tenho relação profissional com muita gente no meio jurídico, inclusive com magistrados. Essa relação nunca interferiu no andamento de processos nos quais atuo". Alheio à relação profissional da advogada e o desembargador ou a sua consciência, o corregedor Humberto Martins, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), instaurou uma reclamação disciplinar contra Rangel. Uma investigação já foi aberta na quinta-feira (25), que ira apurar uma possível infração disciplinar. O processo irá correr em segredo de Justiça e o desembargador terá 15 dias para se defender. Rangel já é investigado por ser sócio do empresário Leandro de Souza em uma empresa de seguros. O empresário foi preso no mês passado durante a Operação Favorito, que investigava fraudes na saúde do Rio de Janeiro. Tem muito caroço debaixo desse angú.