Até aqui nos ajudou o Senhor

Estamos a um passo...e não é do paraíso

25/07/2019

Estamos a um passo da volta da censura no país. Os mais jovens certamente só sabem de ouvir falar, mais muitos de nós, vivemos uma época em que até para falar tínhamos que olhar para os lados. A prisão dos quatro supostos "hackers", pela suspeita de serem os responsáveis pelo escândalo da vaza jato, aliado a divulgação de novos ataques a celulares de membros do governo, abre um precedente para que o ministro Sergio Moro transforme o caso em "segurança nacional" o que justificará medidas repressivas contra a Imprensa de forma geral. Todos os órgãos da imprensa sem exceção, que não estiverem alinhados a Secom do governo, estarão colocando em risco a "segurança nacional". Sem querer pôr em xeque a Polícia Federal, os suspeitos presos não parecem ter qualquer habilidade técnica (isso seria facilmente comprovado, se quisessem) para cometer crimes cibernéticos, são golpistas menores prontos a uma "delação premiada", prontos a assinarem o que for. Gustavo Henrique Elias Santos: DJ, preso anteriormente por receptação e falsificação de documentos; Suelen Priscila de Oliveira: mulher de Gustavo, não tinha passagem pela polícia; Walter Delgatti Neto: conhecido como Vermelho, já foi preso por falsidade ideológica e por tráfico de drogas; Danilo Cristiano Marques: já teve condenação por roubo. São os famosos ladrões pé de chinelo. Um novo fato nesta história necessita esclarecimento, o grampo ilegal nos telefones das autoridades, isso é sim uma ilegalidade, que precisa ser apurado com todo o rigor. Se nem as maiores autoridades do país tem o sigilo garantido, imaginem nós meros mortais. Enquadrá-los (os grampos) em "segurança nacional", vai um pouco além e nos remete a 2016, quando o atual ministro grampeou ilegalmente a chefe do governo à época.

Entretanto estas investigações, não podem invalidar de forma alguma as publicações do site Intercept Brasil, já que a fonte principal não foram os aparelhos (que sequer foram entregues para análise), mas sim, bancos de dados do aplicativo de mensagens Telegram. Enfim, uma apuração, não deveria anular a outra. Por outro lado apurar as habilidades técnicas dos suspeitos deveria ser a primeira etapa das investigações, já que inicialmente, "em razão da complexidade da operação", as suspeitas segundo os envolvidos, recaiam sobre um grupo de hackers especializados Russos. Agora, todos os suspeitos são do interior de São Paulo. Do grupo, Walter "Vermelho" e Gustavo Santos confirmaram que tiveram acesso às mensagens interceptadas de autoridades e outras pessoas a partir do computador de "Vermelho", simples assim, (eles são extremamente habilidosos). O diretor do site Intercept, chegou a ser interpelado(e negou) sobre os Russos, em suas audiências na Câmara e no Senado. Em resposta ao quadro atual informa "Nada muda as impropriedades de Moro e Deltan. Nossa resposta para todas essas fofocas e distrações hoje será simples: mais reportagens desse arquivo, em conjunto com nossos parceiros e com novos. As ações de Moro e Deltan foram obscurecidas hoje; não será para sempre". Promover a defesa é comum a todos nós, quando de alguma forma somos acusados, mas insultar a inteligência das outras pessoas, aí é diferente.