Até aqui nos ajudou o Senhor

Opinião... Miséria pouca é bobagem

20/10/2019
Foto Divulgação/Arquivo WordPress
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Quando a gente pensava que as coisa na política brasileira não pudessem ficar piores, percebemos que estamos completamente enganados e toda desgraça é pouca. Nesta semana está acontecendo o ápice da incapacidade política do presidente. Inicialmente teve a investigação do laranjal do PSL, todos os membros do partido se uniram em defesa do ministro do turismo e outros envolvidos nas investigações. O posicionamento correto seria no mínimo afastá-lo durante as investigações. Daí, do nada e em um momento difícil para a sigla, o presidente vira sua metralhadora destravada para a liderança nacional do partido, questiona as contas do fundo partidário e pede auditoria na utilização dos valores, como em uma competição de esgrima e presidente nacional Luciano Bivar acena com um pedido de auditoria da contas de campanha do governo. O governo contra ataca com uma busca da PF do ministro Moro, nos endereços de Bivar. O governo tenta destituir o deputado Delegado Waldir da liderança do partido na casa legislativa e elevar seu filho Eduardo Bolsonaro no seu lugar, Eduardo possivelmente bate mais um novo recorde para o clã bolsonaro, o líder de partido, com a liderança mais curta da história, pois poucas horas depois o Delegado Waldir é reconduzido à liderança. Waldir volta xingando o presidente de "VAGABUNDO", traira e outros nomes impublicaveis, o governo então resolve destituir da liderança do governo no congresso a deputada Joice Hasselmann por ter assinado do documento para volta do Delegado Waldir. Ela, assim como o deputado expulso Alexandre Frota faziam parte de um fiel esquadrão de elite do presidente, ao sair, ela declara estar alforriada, que já estava cansada de ter que discursar para organizar as bagunças do governo. E o embate continua e Eduardo Bolsonaro embaixador é um sonha cada vez mais distante, quase impossível. A Doutora em Administração Pública e Governo pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e professora do curso de graduação em Ciência Política na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Tamara Ilinsky Crantschaninov é direta ao avaliar o cenário: Bolsonaro "demonstra uma incapacidade total", enquanto presidente, com a sua própria base. "Nem dentro do partido ele está conseguindo criar algum tipo de consenso". Tudo indica que a batalha ainda não está no fim, e isso deixa todas as possíveis interlocuções com o congresso comprometidas, se já estava difícil a articulação entre os poderes, agora esta disputa interna só vem intensificar e elevar o nível da crise. A capitalização que muitos candidatos utilizaram ao se associar a Bolsonaro durante a campanha e tiveram êxito, começa a seguir o sentido contrário, políticos estão tentando descolar sua imagem de um presidente desgastado, que se coloca em um lugar de se comportar como uma pessoa rude, grosseira, que não dialoga não só com a oposição, com jornalistas, a quem ele sempre ofende muito, mas também com sua própria base". O isolamento que o presidente tem atraído para ele, é incompatível com nosso sistema político onde é necessidade da presidência ter coalizões fortes dentro do Congresso para conseguir governar. Voltando a Tamara Ilinsky Crantschaninov, o povo tentou fugir do políticos profissionais, então escolhemos alguém que era 'apolítico', bem entre aspas, que está se revelando um completo incapaz de lidar com o nosso sistema democrático", finaliza. Só nos resta então aguardar nos próximos dias o desenrolar de mais um percalço que estagna o governo, a política e a economia do país. E antes que alguém use os dados do crescimento do emprego nos últimos meses, quero lembrar que nesta época, tanto o segmento industrial como o comercial, ampliam seus quadros, esperançosos de um final de ano, para pelo menos minimizar os prejuízos acumulados.