Até aqui nos ajudou o Senhor

Gastos do cartão corporativos são os maiores em cinco anos

23/10/2019

Estamos com déficit no caixa do governo, é preciso cortar os gastos, privatizar para diminuir as despesas operacionais das estatais. Essas têm sido as frases mais usadas no momento, certamente com razão. Entretanto alguns gastos não entram nesta conta e só sobem. O MPF (Ministério Público Federal) pediu ao TCU (Tribunal de Contas da União) a abertura de um processo para investigar os gastos do governo com os cartões corporativos, que segundo levantamento parcial já é o maior dos últimos cinco anos. Para agravar mais esta situação, acirrar mais os ânimos e levantar mais suspeitas, o presidente usou de uma prerrogativa opcional e colocou as contas do presidente e do vice, classificadas como confidenciais. Uma atitude que é admitida através de um decreto de 2012 de nº 7.845 diz "Colocar os gastos de cartão corporativo em sigilo é opcional e pode ocorre sempre que a divulgação dessa informação implique risco ou dano aos interesses da sociedade e do Estado". Entretanto para o Procurador Lucas Furtado "os gastos administrativos que padecem da falta de transparência são aqueles que, em tese, podem estar mais vulneráveis ao distanciamento de um necessário padrão ético de probidade, decoro e boa-fé, ou seja, estão mais suscetíveis a atentarem contra o princípio da moralidade". Quando ainda deputado federal Bolsonaro era um dos maiores críticos a falta de transparência dos gastos dos governos do dinheiro público. Gastos indevidos eram por ele denunciado com ferocidade. Sem dúvida essa é a postura que se espera do agente público. Só que o que antes era combatido hoje fica sob o manto do sigilo. Em pelo menos 104 oportunidades, portadores desses cartões, gastaram além do limite permitido, que a mixaria de R$17.6 mil. Desses 104, 14 excederam ao teto permitido de R$33 mil. Em fevereiro a Presidência teria gasto o equivalente a R$ 79.372,41 para operacionalizar uma aeronave para transportar uma comitiva a Davos na Suíça. Esperamos que o presidente pare de negociar os valores, éticos e morais que o elegeram . Pois só assim conseguirá colocar o país nos trilhos.