Até aqui nos ajudou o Senhor

Ponto Final

02/08/2019

Dias depois da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, apresentar um relatório contrário as declarações do presidente e de ter criticado duramente a atuação da Comissão. Jair Bolsonaro determinou a troca de quatro dos sete membros do colegiado. Ele trocou inclusive a presidente da comissão, Eugênia Augusta Gonzaga Fávero. Indagado sobre os motivos, ele usa novamente o "ponto final" "O motivo é que mudou o presidente, agora é o Jair Bolsonaro, de direita. Ponto final. Quando eles botavam terrorista lá, ninguém falava nada. Agora mudou o presidente. Igual mudou a questão ambiental também". O governo nomeou Marco Vinicius Pereira de Carvalho para a presidência da comissão. Ele é filiado ao PSL, partido de Bolsonaro, e assessor especial da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves. Após criticar duramente a atuação da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Jair Bolsonaro determinou a troca de quatro dos sete membros do colegiado. Mudança ocorre uma semana após a comissão atestar que Fernando Santa Cruz, pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, morreu de forma "não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro". Bolsonaro questiona os documentos oficiais que atestam que Santa Cruz desapareceu quando estava sob custódia dos militares, e disse que se o presidente da OAB "quisesse" contaria como o pai dele morreu, embora não apresente prova alguma sobre suas alegações. Os demais novos integrantes do colegiado são Weslei Antonio Maretti (coronel reformado do Exército), Vital Lima Santos (que também é oficial do Exército), e Filipe Barros Baptista de Toledo Ribeiro (parlamentar filiado ao PSL). Eles substituem Rosa Maria Cardoso da Cunha, João Batista da Silva Fagundes e Paulo Roberto Severo Pimenta. Em nota a ex presidente do órgão disse "ao que tudo indica" a sua saída do cargo "foi uma represália por sua postura diante dos últimos acontecimentos". Na nota, Eugênia destaca que "está nítido que a CEMDP, assim como a Comissão de Anistia, passará por medidas que visam a frustrar os objetivos para os quais foi instituída".