Até aqui nos ajudou o Senhor

Governos estrangeiros podem restringir a compra de produtos brasileiros, por conta das declarações do presidente

18/08/2019

Em mais uma de suas infelizes declarações o presidente ao falar sobre trabalho infantil e trabalho análogo ao escravo, em julho Bolsonaro disse que embora não defenda o trabalho infantil, afirmou que "o trabalho dignifica o homem, a mulher, não importa a idade" chegou a citar o próprio exemplo, contou que começou a trabalhar aos oito anos "plantando milho, colhendo banana", e disse que isso "fez muito bem" a ele, declaração desmentida pelo próprio irmão que disse que o pai não permitiu que trabalhassem. No mesmo mês Bolsonaro criticou a emenda constitucional que pune com expropriação a propriedade rural que pratica trabalho análogo ao escravo. Bolsonaro também defendeu uma definição clara do que é "trabalho análogo à escravidão" a fim de se dar mais "garantia" aos empregadores. segundo afirmou o procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Curado Fleury, estas declarações podem levar empresas e governos estrangeiros a restringir a compra de produtos brasileiros, o que causaria prejuízo a empresas nacionais. O risco, segundo ele, é que empresas estrangeiras e governos identifiquem nas falas de Bolsonaro indícios de que o governo brasileiro reduzirá esforços para combater o trabalho infantil e o análogo ao escravo (como já vem fazendo com o desmatamento). Fleury afirmou que países como os EUA monitoram o combate ao trabalho análogo ao escravo e infantil por seus parceiros comerciais. E que o Brasil corre o risco de entrar na "lista suja" desses países. "Na hora que a gente deixar de combater o trabalho infantil e o análogo ao escravo, a gente vai sair do azul e passar para o vermelho. Os produtos brasileiros poderão - e certamente irão - sofrer restrição de entrada nos EUA. Na Europa também tem essa lista suja", afirmou. "Interessa economicamente para os produtores brasileiros que o Brasil tenha esse carimbo?", declarou o procurador-geral do trabalho. O procurador citou o exemplo da empresa sueca Paradiset, maior rede supermercados da Escandinávia, que anunciou no começo de junho que deixaria de importar produtos do Brasil devido a notícias sobre a liberação de pesticidas e aumento do desmatamento. O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Marcello Brito, disse que as notícias sobre desmatamento ilegal no país, "colam" no setor, geram uma "reverberação internacional extremamente negativa" e prejudicam as empresas que exportam produtos agrícolas