Até aqui nos ajudou o Senhor

Especialistas encontram contradições em depoimento do hacker

01/08/2019
Foto Divulgação/Arquivo Internet
Foto Divulgação/Arquivo Internet

Especialistas em segurança tecnológica veem contradições nas declarações do suposto hacker detido pela PF. Estas declarações não é "no meu entender... eu acho", são análises de especialistas no assunto. Até mesmo alguns agentes consideram o depoimento contraditório. Daniel Lofrano Nascimento, foi conhecido invasor cibernético que praticava a quebra (ou cracking) de um sistema de segurança, de forma ilegal ou sem ética, à época em que era menor de idade. Hoje é dono da consultoria de segurança digital DNPontoCom. Para ele, o depoimento de Walter Delgatti apresenta algumas inconsistências de ordem técnica. "O depoimento inclui várias contradições, tanto que a própria Polícia Federal tem tratado esse suspeito como estelionatário, e não como um hacker. Acho muito improvável, por exemplo, que esses quatro suspeitos tenham conseguido acessar mais de 1.000 celulares em apenas dois meses, de março a maio deste ano, que foi o período citado por ele", questionou Nascimento. Uma ação deste porte, demandaria uma grande estrutura e um tempo maior de ação. Eles teriam que ligar para 1.000 caixas postais, uma por uma e para isso seriam necessários várias ligações para acessar o celular do alvo quando estivesse ocupado. Tarefa quase impossível para uma única pessoa. Outra especialista disse "Para se conseguir um ataque dessa monta é preciso uma grande infra, ou mesmo conseguir máquinas, que chamamos de zumbis, para poder realizar o ataque. É possível, desde que a pessoa seja experiente. Não podemos afirmar que seja impossível, mas requer um esforço grande", disse Kalinka Castelo Branco, professora de Sistemas da Computação do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP). Já o professor Sérgio Costa Côrtes, coordenador do curso de Ciência de dados e Inteligência Artificial do IESB, disse que o que mais chamou sua atenção no depoimento de Walter Delgatti foi ele ter dito que conseguiu violar as senhas do Telegram. "Esses aplicativos, como o Telegram, têm um forte esquema de segurança contra invasões. Kalinka lembrou que o Telegram, não é um ferramenta nova ou recente, e já lançou, inclusive, vários desafios para que hackers ou pessoas interessadas tentem quebrar o sigilo dele, oferecendo dinheiro (e não é pouco) para quem conseguir fazer isso.