Os descaminhos que vão falir nossa educação

15/01/2020

A equipe ministerio da educação, esta fazendo um amplo estudo, com total apoio do governo, para diminuir o excesso de palavras dos livros didaticos. O presidente declarou que " em 2021 todos os libros serão editados por nós" a Pedadgoga (PUCPR). Psicopedagoga (PUCPR). Psicomotricista Relacional(CIAR). Especialista em Psicopedagogia Clínica (EPSIBA). Doutoranda em psicanálise (UCES). Autora de livros didáticos e de literatura infantil. Consultora pedagógica para escolas que querem inovar. Conselheira pedagógica da escola Interpares. Atriz. compositora. dubladora e brincalhona. Apresentou um brilhante texto sobre essa ideia fabulosa e nos tomamos a livberdade de reproduzi-lo na integra

Esse é o material didático que o Presidente e o Ministro da Educação defendem.

Esse é o material que muitos adultos de hoje, usaram quando estavam no processo de alfabetização.

Esse é o material que contribuiu para as dificuldades e desgosto com a leitura, com a escrita e com a compreensão da língua portuguesa, pois são muitos os equívocos, descaminhos, que a "Caminho Suave" perpetuou diante do trabalho mental no processo de ler e escrever

Reparem:

1) A cartilha explora a ideia de que sílaba é algo composto por duas letras (Consoante e Vogal.. B com A= BA, B com E= BE...). Contudo, sílaba é um fonema ou grupo de fonemas que são pronunciados por uma única emissão de som e, esse som pode ser composto por até 5 letras, como é o caso da palavra TRANSporte, cujo agrupamento silábico (TRANS) está contido de 4consoantes e 1 vogal.

Ah, vale destacar: Não é o fato de ter 5 letras na primeira sílaba que faz a palavra transporte ser uma palavra polissílaba (isso é ainda outra coisa, pois as palavras são compostas por sílabas que podem ser: monossílabas, dissílabas, trissílabas, polissílabas.

2) A cartilha induz a um erro no aspecto de segmentação da palavra quando, na ilustração, exalta (em vermelho) o #Ba, pois a separação das sílabas da palavra Barriga é feita assim: #Bar ri ga. (Ver foto publicada junto com esse texto)

A incompreensão da segmentação da palavra corrobora para dificuldade de aprendizagem sobre a maior intensidade fonética na pronunciação que classifica as sílabas em oxítona, paroxítona, proparoxítona e, por conseguinte vai ser difícil aprender: encontro vocálico, encontro consonantal, dígrafo, hiato, ditongo, tritongo...

3) A cartilha não ensina a produzir textos. Os textos são unidades de sentido produzidas por um autor. Portanto, há a necessidade de um vasto repertório e vocabulário para que a tessitura entre as palavras apresente um entrelaçamento dos elementos linguísticos e, assim, o leitor tenha a sensação de que leu um bom texto.

4) A cartilha, trabalha com consignas simples, isto é, apresenta em suas páginas a repetição de enunciados que pouco exercício mental exigem, #cubra #copie #ligue são as ações solicitadas para o alfabetizandos possam se apropriar do conhecimento. É por essa razão que se diz que a cartilha "suaviza" o processo de ensino e aprendizagem.

5) "Eu vejo a barriga do bebê", "O Ivo viu a uva" são frases soltas e desconexas... Isso talvez explique porque adultos de hoje em dia, leiam pouco e interpretem tão mal um texto com mais de 7 palavras.

6) A cartilha não ensina a pensar os significados e sentidos de uma mesma palavra. Por exemplo: a palavra "botão" em um contexto pode ser parte de uma vestimenta e, em outro, uma fase da rosa. "Rosa" pode significar nome de pessoa ou cor ou planta. "Planta" pode ser elemento da natureza ou referência a arquitetura e assim por diante.

7) #PauloFreire não tem nada ver com essa cartilha, assim como, não é sua a responsabilidade diante dos baixos índices de Educação e de Alfabetização no Brasil... se as escolas compreendessem suas ideias, jamais deixariam se alastrar bobagens e ofensas por aí.

A epistemologia revolucionária proposta por Paulo Freire vai na direção contrária. Para esse educador é essencial ensinar a pensar a palavra em seu texto e contexto.

8) A cartilha foi retirada do catálogo do Ministério da Educação em 1995, isso significa dizer que desde então esse material não passa por uma avaliação Pedagógica tampouco uma atualização e uma adequação para com a reforma ortográfica que entrou em vigor em 2002. Portanto, obsoleto é um adjetivo ínfimo para o que esse material representa atualmente.

9) Vale a máxima: #nãofaçacomosoutros #aquiloquefizeramcomvocê. Ora, se já sabemos que "Caminho Suave" não é adequado para alongar a inteligência, se sabemos que está ultrapassado, se temos consciência que os alfabetizandos, de hoje, merecem um trabalho Didático e Pedagógico melhores, se está claro que "suavizar" é sinônimo de tornar o ensino ainda mais fraco, para que esse retrocesso? #nãopodemosaceitar

Texto de Deyse Campos