Preços dos combustíveis vão baixar um De javú pela terceira vez

23/06/2022

Depois das sucessivas trocas de presidente promovidas pelo presidente na Petrobras o motivo é sempre o mesmo, tentar conter a escalada de alta dos preços dos combustíveis e o discurso não muda. "O presidente afirmou ontem que o novo conselho da Petrobras poderá mudar a política do Preço de Paridade de Importação (PPI), que atrela o custo dos combustíveis no Brasil ao valor do barril do petróleo e ao dólar. O presidente reclamou do prazo para análise de seu indicado para presidir a empresa, Caio Paes de Andrade, e antecipou que ele irá mudar a estrutura de comando da estatal após assumir o posto", uma afirmação um tanto estranha, para quem diz não interferir nas decisões da estatal, as declarações foram feitas em entrevista concedida à Rádio Itatiaia. De acordo com o presidente, "o estatuto da Petrobras criou a tal PPI, (Paridade de Preços Internacionais), que no meu entender já cumpriu o seu papel. É igual a um torniquete, você faz ali, quando acaba a hemorragia, você tem que afrouxar". Segundo o presidente, a "periodicidade do PPI é de um ano", por isso a Petrobras "não precisa subir preço imediatamente" na refinaria diante da alta do petróleo ou da valorização do dólar. Na verdade é um déjà-vu, pela terceira vez. A paridade é uma âncora para a confiança no mercado, principalmente do capital estrangeiro em relação ao investimento na companhia. Eliminar a paridade, neste momento em que o governo pensa em privatização da estatal, seria minar os esforços de manter a imagem de solidez financeira e desvalorizaria a companhia, o que prejudicaria a forma como o mercado enxerga a companhia. Cobrar da Petrobras uma função social é uma dicotomia entre lucratividade de seus investidores, e interesse público. Embora controlada pela União, 63,25% do capital social da empresa está nas mãos de investidores privados.