Presidente poderia se tornar o que menos gastou os cartões da presidência era só remover o sigilo

31/01/2022

"O meu cartão, que eu posso sacar até R$ 25 mil por mês e tomar em tubaína com coca-cola, nunca tirei um centavo" , afirmou o governante durante agenda oficial em Itaboraí (RJ), onde discursou para gestores da Petrobras. Essa é a afirmação do presidente sobre os gastos de um dos seus três cartões. O mandatário explicou que existem mais dois cartões além do de uso pessoal, utilizados para o custeio de despesas diversas. As declarações do presidente são contrárias ao apurado por diversos órgãos de imprensa no limite da LAI (Lei de Acesso à Informação), já que a maior parte delas está sob sigilo por 100 anos. Um levantamento apurou que os gastos com o uso de cartões corporativos durante os três anos do atual governo já superam os quatro anos da gestão anterior, que abrange os mandatos de Dilma Rousseff e de Michel Temer, e olha que a dona Dilma gastou. O jornal O Globo apurou que o presidente gastou R$ 29,6 milhões com cartões corporativos até dezembro do ano passado. O valor é 18,8% maior do que os R$ 24,9 milhões consumidos nos quatro anos da gestão anterior, que acabou sendo dividida por Dilma Rousseff (2015-2016) e Michel Temer (2016-2018). Quanto à denúncia que seus filhos 01 e 02, teriam cartões da presidência, o presidente negou a acusação. "Nenhum filho meu tem cartão corporativo. Tenho três, dois são para viagens, abastecimento de aeronaves, comprar comida para 50 emas. As acusações são as mais absurdas possíveis porque estamos incomodando" . Caso quisesse realmente pôr um fim nessas supostas especulações, seria fácil. Bastava remover o sigilo e divulgar suas despesas. Ele então se tornaria o presidente que menos gastou os cartões da presidência. Porque não o faz? Eis a questão! O senador Fabiano Contarato (PT-ES) disse hoje (31), que acionou o TCU (Tribunal de Contas da União) para apurar os gastos do cartão corporativo do presidente, somente em 2021 os gastos chegaram em R$ 11,8 milhões, maior valor em 7 anos. O senador afirmou que os gastos são "altíssimos" enquanto "falta comida na mesa dos brasileiros".